Pois é, após assistir a palestra do colega Julio Tadeu na GS1 Brasil sobre motivação, surgiu à seguinte questão: a denominação correta para as pessoas que trabalham em uma empresa é empregado ou colaborador?
A platéia ficou dividida, alguns achando que a denominação de colaborador é piegas, pois a palavra é carregada de ilusões. Outros acreditando que há pessoas imbuídas de vários propósitos individuais que realmente colaboram com a empresa. Essa discussão avançou após o término da palestra.
Diante deste fato, fiquei refletindo a respeito da questão apresentada e lembrei da matéria publicada na revista Exame, edição 925, sobre os carregadores de marmitas de Bombaim, os dabbawalas, como são conhecidos na Índia.
A saga dos marmiteiros de Bombaim remota ao ano de 1890, quando a Índia ainda era uma colônia inglesa. O serviço teria começado do desejo de um escriturário britânico de comer no trabalho as refeições preparadas em casa por sua mulher. Desde que o trabalho de entrega foi organizado, há mais de um século, sua estrutura e sua logística permanecem praticamente inalteradas.
O que motiva um grupo de 5.000 homens uniformizados a retirar cerca de 200.000 refeições prontas da casa de seus clientes? O destino são milhares de escritórios localizados na área comercial da maior metrópole do país, localizados no lado oposto da cidade em um raio de 70 quilômetros. Em troca do serviço, os dabbawalas ganham em média 120 dólares por mês, pouco mais de R$ 192,00; rendimento considerado razoável no país para pessoas com baixa escolaridade. O lema deles é: “Levar comida a alguém é o mesmo que servir a Deus”.
Os entregadores têm orgulho de manter a taxa de eficiência do serviço – índice de falhas próximo a zero – e se preocupam com a qualidade do trabalho. “Somos como a Fedex, só que entregamos marmitas. Na prática, é como se todos fôssemos sócios da empresa”, disse um dabbawalas.
Quando eu estava retornando da cidade de Miguelópolis para o aeroporto de Ribeirão Preto, como de costume atrasado e com receio de perder o vôo para São Paulo, outro ponto ligado à motivação chamou a minha atenção. Passando pelo pedágio, encontro a atendente dispersa olhando para o horizonte. Eu ali parado segurando o dinheiro para pagar e ela não percebeu minha presença: é como se eu não estivesse ali! Foi quando quase gritando, em tom de brincadeira, eu dei um boa noite a ela.
A moça me olhou sorrindo e pediu desculpas. Eu perguntei: Está triste? Ela respondeu: “Não, apenas desanimada, mas com este boa noite alegre que o senhor me deu agora estou novamente motivada ao trabalho”.
Diante destes simples exemplos, acredito que devemos encontrar a melhor forma de motivar as pessoas ao nosso redor transformando-as em colaboradores.
Cordialmente,
Egnaldo Paulino














Um Comentário em "Colaborador ou empregado, eis a questão?"
Excelente a abordagem do tema, complementada com dois exemplos magníficos. O empregado, quando tratado como colaborador, como co-partícipe de uma atividade, se sente parte dela e, aí, o aumento da motivação é uma conseqüência natural. O seu exemplo próprio, relatado na história do pedágio é uma clara mostra, de que a simpatia, a atenção para com o colaborador pode ser o melhor caminho da eficiência.
Parabéns!