A revista Veja na edição de 10 de junho, traz reportagem mostrando que a crise fez surgir no Brasil um novo tipo de empreendedor. São os executivos de grandes empresas, que após perderem seus empregos, abriram seu próprio negócio e, mudaram o perfil do empreendedorismo no Brasil.Segundo levantamento da consultoria DBM, uma das maiores em recolocação de executivos no mundo, demonstra que, desde outubro passado, o momento mais agudo da crise, cresceu em 60% o número de brasileiros que, uma vez demitidos, decidiram partir para um negócio próprio. Até agora, são algo como 100.000 pessoas. O aspecto positivo, é que eles não têm perfil aventureiro: 90% procuram alguma espécie de assessoria antes de montar sua empresa.
O surgimento dessa nova geração de empreendedores ajuda a explicar por que um número de pequenas empresas no país já subiu tanto neste ano – o crescimento foi da ordem de 20%, de acordo com relatório recém consolidado pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio.
Os negócios tocados por esses novatos têm indicadores bastante diferentes daqueles que marcam tipicamente o empreendedorismo no Brasil. A começar pelo capital investido de início, até 500.000 reais, bem mais do que os 20.000 reais com os quais se inicia, em média, um negócio no país.
Estes novos empreendedores estão contribuindo inclusive com o aumento da escolaridade dos empresários brasileiros, possuem curso superior e alguns contam também com MBA no currículo. Para se ter uma idéia, apenas 17% dos donos de empresa no Brasil, cursou uma universidade.

Entretanto, não é fácil abrir um negócio no Brasil. O processo é difícil e moroso. O Banco Mundial traz o ranking de 181 países onde o Brasil ocupa 127ª posição, onde é preciso esperar em média 152 dias e ainda ter a paciência para cumprir dezoito procedimentos burocráticos. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos a empresa sai do papel em 6 dias e a burocracia tem um terço do tamanho. O crédito também é mais caro e escasso no Brasil, o que obriga as pessoas a fazer uso da poupança – ela fornece entorno de 70% do capital inicial. Por fim, pesa contra os empresários uma alta carga tributária, que chega abocanhar 52% do lucro da empresa. Mas de dois terços dos empreendedores brasileiros são informais. Já entre os novatos não há informalidade.
Pesquisa realizada pelo GEM – Global Entrepreneurship Monitor, no ano passado, apresenta o Brasil na 13ª posição no ranking mundial de empreendedorismo, onde predominam aqui negócios minúsculos, sem grandes inovações, com alta taxa de mortalidade.
Segundo Valentino Carlotti, presidente no Brasil do banco Goldman Sachs, esses negócios não se traduzem em aumento de vagas no mercado de trabalho, nem maior oferta de serviços e preços mais competitivos, quando ocorre quando o empreendedorismo é de alto nível. Daí a relevância do aparecimento desse novo grupo de empreendedores. Mas, não devemos nos esquecer que estes “negócios minúsculos” empregam 59% da força de trabalho do país, absorvendo a mão-de-obra mais humilde e desqualificada.
Por outro lado, esse novo tipo de empreendedor traz na bagagem alguns aprendizados importantes.
- Não é possível replicar os processos da grande empresa para um pequeno negócio, os “modus operandi” são diferentes.
- Os negócios só darão certo, se não pensarem apenas na sobrevivência, mas em crescimento e perenidade. Ou seja, um negócio não é alto emprego.
- A empresa deve existir para atender uma demanda real do mercado, caso contrário não há razão de existir.
Por fim, o empreendedor é dotado de uma energia que movimenta na direção de seus objetivos e o faz ter iniciativa. Isso pode ser observado principalmente nas pessoas que estão profundamente conectadas com aquilo se propõem a realizar. Esse é um dos motivos pelos quais o comportamento empreendedor é precioso nos dias de hoje para criação de novas empresas inovadoras e competitivas.
Cordialmente,
Egnaldo Paulino
www.egnaldopaulino.com













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