Por Ana Maria Magni Coelho,
O misto de show e funeral em homenagem a Michael Jackson, que foi acompanhado por milhões de pessoas na última terça feira, aponta para um mundo em que a necessidade de ídolos humanos aumenta a cada geração. As pessoas buscam referências, modelos que sirvam como parâmetros para seus comportamentos ou que justifiquem seu próprio modo de ser. Mesmo que tais parâmetros não sejam os melhores no que diz respeito à qualidade de vida, fortalecimento dos laços familiares ou espiritualidade.
Não desejo polemizar sobre a contribuição de Michael para o cenário musical, mas sim refletir sobre quando, realmente, nossos ídolos começam a morrer. Quando você começa a se perguntar se ele realmente merece toda a devoção ou passa a duvidar da possibilidade de que ele seja tão perfeito, pronto! É aí que ele começa a morrer.
Alguns irão atrás de novos ícones, novas pessoas que fundamentem seus sonhos e aspirações, e para os quais devotarão boa parte de seu tempo, recursos e capacidade intelectual.
Tenho buscado me lembrar de alguém que admirava na infância e continuo admirando até hoje, mas percebi que não sou uma pessoa de ter ídolos. Entretanto, reconheço minha capacidade de aprender e trazer pra minha vida características de pessoas que admiro: minha mãe, meu avô, alguns professores e alguns líderes dos vários papéis que já desempenhei. Sempre tive muito respeito pelas pessoas capazes de me ensinar e que me ajudassem a descobrir o melhor pra mim. Pessoas que trazem coisas boas pra nossas vidas deveriam ser os nossos verdadeiros ídolos!
Por isso, prefiro líderes à ídolos. Uma liderança carismática, capaz de influenciar por sua empatia e de realizar conexões entre si e seus liderados sem manipulação. O líder é perene, prioriza as pessoas, inova, inspira confiança e desenvolve. Já o ídolo prioriza seus próprios sistemas, é inconstante, controla, mantêm suas estruturas e se fundamenta em imagens poucas vezes reais sobre si e o sobre o mundo. Líderes estão para servir, enquanto ídolos querem ser servidos.
Por vezes, o ídolo é apresentado ao público como alguém que tem um dom individual: tudo decorre de um mérito e de uma competência que lhes são únicos, como se uma disposição genética permitisse que apenas as pessoas dotadas de um atributo especial pudessem marcar suas gerações.
Eu aprendi com pessoas comuns, líderes pessoais e empresariais, a sempre valorizar meus colegas, buscar falar na hora certa, escutar mais do que falar, ser honesto e nunca ser desleal, ter objetivos, não lamentar as derrotas e ser esforçado e alegre. São legados assim que devemos procurar e não sonhos passageiros, transitórios e efêmeros.
Pergunto então: a quem você vem seguindo, ídolos ou líderes?
ANA MARIA MAGNI COELHO
Gerente regional do SEBRAE-SP no Alto Tietê
www.anamariamagni.blogspot.com














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