Depois não diga que não foi avisado

Você já deve estar acostumado a ouvir as pessoas falarem ou buscarem informações sobre os fatores chave de sucesso para empreender um negócio. Mas, se alguém lhe disser que existem também os fatores chaves de fracasso, e que são tão importantes quanto os fatores chave para se obter êxito na nova empreitada? Pois bem, o escritor espanhol Fernando Trías de Bes, após ter estudado um grupo de empreendedores que fracassaram, escreveu o livro: “O livro negro do empreendedor”, com o subtítulo: “Depois não diga que não foi avisado”, contando os motivos desses fracassos; chamando-os de Fatores Chave de Fracasso.

Segundo o escritor, todos os candidatos a empreendedor estão acostumados a encontrar informações sobre os fatores chave de sucesso, mas ninguém nos diz quais são os fatores chave de fracasso. Ele explica que todos sabem, há séculos, que “é errando que se aprende”.

FracassoOs negócios não costumam fracassar por falta de competência técnica de quem os empreende, mas devido a motivos muito mais simples: problemas pessoais, desavenças com os sócios, falta de bom senso, excesso de expectativas, medos e/ou erros insignificantes que, com o tempo, se transformam em verdadeiros problemas que acabam inviabilizando o negócio.  Diante deste fato, não basta o empreendedor ser o melhor técnico, naquilo que faz. Deve considerar outros aspectos importantes para sobrevivência do negócio.

As estatísticas demonstram que, de cada dez empresas abertas no estado de São Paulo, sete conseguem sobreviver ao primeiro ano de existência, enquanto que, após o quinto ano, o número é alarmante: apenas três conseguem sobreviver. Isso significa que mais de 60% das empresas fecham as portas antes de completar seis anos de existência. Os estudos demonstram os principais fatores que levam ao fechamento das empresas. São eles: falta de comportamento empreendedor, abertura da empresa sem planejar, gestão ineficiente do negócio, insuficiência de políticas de apoio, conjuntura econômica desfavorável e problemas de caráter pessoal.

Mesmo com esses números alarmantes de mortalidade nos negócios, encontramos sempre informações detalhadas sobre os negócios bem-sucedidos. Não seria mais lógico revelar quais são as pedras em que tropeçam 64% dos empreendedores do que analisar cerca de 36% de homens e mulheres que fizeram sucesso?

É claro. Talvez, cada pessoa fracasse por um motivo diferente e não exista uma lista universal de fatores de fracasso. Não acredito. Porque, se honrarmos a condição humana, acabaremos concordando que o ser humano sempre tropeça nas mesmas pedras. Portanto, saber quais pedras são estas pode ajudar muita gente.

Tria de Bes acredita que seremos muito mais úteis aos empreendedores ajudando-os a identificar primeiro o essencial, aquilo que não podem falhar. Resolvendo isso, cada empreendedor terá a capacidade e inteligência suficientes para identificar seus próprios fatores de êxito.

Empreender é um caso sério. Não estamos falando em abrir uma loja de bonecas ou uma barraquinha de pulseiras numa praia paradisíaca. Estamos falando de empreender, de arriscar o próprio dinheiro e uma carreira profissional, de comprometer a economia familiar do empreendedor e, na maioria das vezes, seu próprio patrimônio.

Assim como se fala de consumo responsável e da responsabilidade social corporativa – agora que ser responsável está tão na moda – também é necessário incentivar o espírito empreendedor de uma maneira responsável. Significa dizer que fomentar o espírito empreendedor não deve ter como objetivo apenas aumentar o número de empreendedores; é necessário, também, garantir que estes tenham melhor qualidade. Incentivar pessoas que não estão preparadas para empreender não é fomentar o espírito empreendedor – é um exercício de irresponsabilidade.

Para concluir, o autor divide o livro em cinco partes com relação às áreas que concentram a maioria dos fatores que induzem ao fracasso, os chamados “Fatores chave de fracasso”.  São as seguintes:

Sobre a natureza da pessoa que empreende:

  1. Empreender com um motivo, mas sem motivação
  2. Não ter caráter empreendedor
  3. Não ser um bom lutador

Sobre os sócios:

  1. Ter sócios quando, na realidade, pode ficar sem eles
  2. Escolher sócios sem definir critérios de escolha relevantes
  3. Dividir os resultados quando nem todo mundo investe o mesmo

Falta de confiança e comunicação com os sócios:

  1. Sobre a idéia do negócio:
  2. Achar que o êxito depende da idéia
  3. Atuar em setores dos quais não gosta ou desconhece
  4. Escolher setores de atividade pouco atraentes

Sobre a situação familiar do empreendedor:

  1. Fazer negócio, depender das necessidades familiares e das suas ambições materiais
  2. Empreender sem assumir o impacto que isso terá seu equilíbrio de vida

Sobre a gestão do crescimento:

  1. Criar modelos de negócios que não dão lucro rapidamente e de modo sustentável
  2. Ser empreendedor e não empresário, e não se afastar a tempo




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