Redução de custos, agilidade nas vendas e controle de estoques são benefícios citados
VERA DANTAS
A possibilidade de fechar negócios rapidamente, controlar melhor os estoques e reduzir custos estão entre os benefícios mais citados por pequenos empresários que começam a utilizar o comércio eletrônico, o chamado business-to-business ou B2B, no dia-a-dia de sua empresa. A loja de brinquedos Ciranda, que usa o sistema em parceria com a fabricante Toyster há dez meses, conseguiu obter uma redução de 10% em seus estoques. O proprietário da Ciranda, João Theoto Júnior, foi um dos escolhidos pela Toyster para participar de um projeto-piloto de comércio B2B.
“Diariamente transferimos o resultado das vendas dos brinquedos pela via eletrônica. Quando o estoque de qualquer produto Toyster cai abaixo do mínimo estipulado, a reposição é imediata”, diz Theoto. A vantagem, justifica, é que não há falta de produtos na loja e perda de vendas. “Tenho sempre o mínimo necessário sem correr o risco de ficar desabastecido ou estocado demais, o que é um risco no cenário econômico atual”, diz.
A proposta de venda via internet ainda é uma iniciativa de grandes empresas para os fornecedores pequenos, que precisam se adequar às exigências do mercado para não perderem vendas, de acordo com o consultor de sistemas de informação do Sebrae-SP, Egnaldo Paulino.
“O movimento é tímido, mas aos poucos o comércio eletrônico está chegando às pequenas por interesse das maiores”, afirma. O B2B movimentou no ano passado no Brasil o equivalente a US$ 3,7 bilhões, segundo levantamento da E-Consulting, consultoria especializada em tecnologia da informação.
Das 3,5 milhões de empresas existentes no País, 12% já fizeram ou fazem B2B , o que corresponde a 436 mil empresas. A projeção da E-Consulting é que o volume de transações eletrônicas nas micro e pequenas cresça de 8% a 10% no próximo ano. Mas de acordo com o diretor de Tecnologia da consultoria, Nestor Garcia, estas projeções devem ser alcançadas desde que o cenário econômico caminhe dentro do previsto e que o programa de inclusão digital empresarial seja iniciado. Hoje, o índice de penetração do B2B nas pequenas empresas é de 18% e nas micro de 5%.
Para o presidente da Interchange, especializada na gestão do relacionamento eletrônico entre empresas, Roberto Zabeo, os pequenos até um tempo atrás estavam marginalizados do B2B. Agora, com o desenvolvimento de ferramentas mais simples para atender a este público, diz, o número de interessados em se integrar ao comércio eletrônico está aumentando.
Agilidade - A empresária Mônica Rodrigues, da Artpan, especializada na produção de racks e móveis para informática, há um ano investe na troca de informações eletrônicas com grandes redes como os hipermercados Makro, Wal-Mart e Bom Preço.
“A rotina da empresa melhorou muito. Deixamos de ter alguns problemas como pedidos cancelados por erros em datas de entrega quando não usávamos a internet”, diz Mônica, que trabalha com uma ferramenta da Interchange que atende a empresas de pequeno porte. “O pedido chega e parte via sistema com todas as condições de entrega, prazos, volumes e rapidamente,” diz. Ela não chegou a calcular, mas teve uma redução de custos com o fim do cancelamento de pedidos.
A maior queixa da Unibank, uma pequena empresa que vende produtos antimofo para armários e antiodor para geladeiras, era receber pedidos por fax com números ilegíveis. “Perdia até um dia inteiro para falar com alguns clientes e esclarecer dúvidas”, diz Luciene Alves de Souza, assistente administrativa da empresa. Hoje ela usa o B2B para atender os supermercados Wal-Mart e Angeloni, no sul do País, e acredita que seu maior ganho foi em agilidade para receber pedidos.
O Grupo Pão de Açúcar desenvolveu sua própria ferramenta para o comércio eletrônico entre empresas há três anos. A rede está interligada atualmente com 6 mil fornecedores, de todos os portes. Utilizar o produto desenvolvido pelo grupo é condição obrigatória para ser cliente do Pão de Açúcar.
Ao começar a conectar fornecedores à rede a empresa criou um grupo técnico para assessorar os pequenos e uma linha de crédito para quem não possuía um computador e outras condições básicas para negociar via internet.
Proprietária da Nut, Maria Cecília Games Capacce é fornecedora do Pão de Açúcar de produtos de padaria como bolachas, minidoces e bem-casados e utiliza o B2B há dois anos. A empresa com 7 funcionários atende a 70 lojas da rede e seu maior ganho, segundo Maria Cecília, foi em tempo. “Passava às vezes o dia no telefone para anotar pedidos, porque o encarregado de determinada loja estava ocupado com outro fornecedor ou porque não estava, e assim por diante”, conta. Hoje, explica, todo o processo é muito rápido e sem erros. Ela também fornece seus produtos para estabelecimentos menores e mercearias sofisticadas, mas a encomenda é atendida pelo método tradicional.
Entre micro e pequenas empresas a via eletrônica para fechar negócios é mais difícil de ser utilizada porque para muitos, por uma questão de custos, falta um mínimo de informatização. “Há também quem resista à mudanças por uma questão cultural”, observa o presidente da Interchange, Roberto Zabeo.












