Realidade no cotidiano das empresas de médio e grande porte, a palavra e-business ainda soa como algo improvável no universo das pequenas e microempresas. Como 98% dos negócios hoje em funcionamento no Brasil se encaixam nesta categoria, dá para dizer sem erro que se trata de exclusão digital. Para agravar ainda mais a situação, uma rápida passada pelos dados do Sebrae – as pequenas e microempresas geram mais de 60 milhões de empregos (diretos e indiretos), o que significa 44% da força de trabalho formal – faz lembrar que praticamente 29% do PIB brasileiro vive seu dia-a-dia fora da internet.
De olho neste mercado praticamente inexplorado, a Microsoft, uma das maiores fornecedoras de software do mundo e dona do sistema operacional Windows, aposta pesado na informatização e “internetização” das micro e pequenas empresas. Depois de ter criado, há pouco mais de um ano, o departamento de Small Business, voltado exclusivamente para atender este nicho, a companhia investe, neste ano, mais de R$ 15 milhões para atrair o segmento. Segundo Carlos Arantes, gerente de Marketing de Small Business da Microsoft Brasil, pequenas empresas têm uma enorme importância para a companhia. Afinal, este segmento é formado por cerca de 5 milhões de pequenas empresas (com menos de 50 PCs). “Sem dúvida alguma, este é um segmento de grande oportunidade para nós e para todo mercado de tecnologia”, afirma. Pela pesquisa encomendada pela Microsoft – ela durou nove meses e ouviu 1.000 empresas de vários Estados brasileiros – , 42% das pequenas empresas brasileiras não possuem computador, enquanto 58% têm pelo menos um micro.
“Desses 58%, 60% têm máquinas obsoletas, o que significa que elas não conseguem rodar aplicativos de última geração”, informa Arantes. Se de um lado fornecedoras como a Microsoft investem para acabar com a exclusão digital, por outro o Sebrae tem trabalhado para colocar, de uma vez por todas, a classe que defende fazendo negócio na Web. Para Egnaldo Paulino, consultor do Sebrae SP, hoje a internet é tão importante quanto o telefone. “Ter um site é criar uma oportunidade de gerar novos negócios”, diz ele. “Mas o pequeno empresário não pode se esquecer de uma série de coisas, como não colocar sua página em hospedagem gratuita, não deixar de publicar seu telefone e criar recursos para interagir com o cliente.” Imagine um padeiro em Rosana, no Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste do Estado, conectado à internet e trocando receitas e técnicas de administração com outro micro empresário, do mesmo ramo, em Iguape, no litoral Sul de São Paulo.
Acrescentando a esta receita institutos de pesquisa, universidades e uma boa dose de empreendedorismo, o Sebrae lança o SEBRAECidade, uma rede virtual de empreendedores, resultado da parceria entre o Sebrae-SP e a Fusp (Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo). “Não é uma solução pronta. É o começo de uma rede inteligente onde os empreendedores vão ter canais novos de acesso à s instituições que têm conhecimento”, avisa Gilson Schartwz, do Instituto de Estudos Avançados, da USP.











