O preço da qualidade – Grife de Valor


Embora custem mais caro, os computadores de marcas conhecidas oferecem segurança e outros atrativos

Texto: Viviane Maia

Muito trabalho perdido e clientes enraivecidos. Esse inferno repetiu-se ao longo de dois anos na Luanet Informática, empresa paulistana desenvolvedora de sites. Os culpados por tanta dor de cabeça eram seus computadores sem marca, praticantes de ‘paus’ e falhas sistemáticos. E o pesadelo ia além. O suporte oferecido pelo revendedor bissexto nem sempre funcionava. Até que Lívio Lemmi, um dos proprietários da empresa, radicalizou: comprou máquinas novas, todas de marcas conceituadas. A rotina da Luanet, desde então, melhorou muito.

Lemmi descobriu, da pior forma, o que consultores se cansam de alertar: a opção pelos computadores montados traz custos extras, que põem a perder qualquer economia feita na hora da compra. Mas o mercado tem boas notícias para empresários como Lemmi. Embora seus preços sejam superiores aos dos equipamentos sem marca, os grandes fabricantes de computadores, como Dell, IBM, Compaq, Itautec, Metron e Microtec, estão se superando na oferta de benefícios e serviços para pequenas redes. Eles vão desde o diagnóstico remoto, via Internet, de falhas do equipamento, por meio do suporte técnico on-line, a facilidades como financiamento, reposição da máquina em caso de conserto e a aceitação de computadores antigos como parte do pagamento (confira os serviços oferecidos no quadro ‘Além do hardware’).

O esforço é uma tentativa de ganhar as pequenas empresas dos integradores sem marca, que vendem computadores por até R$ 1.300, enquanto PCs de mesma configuração, mas de marcas consagradas, não saem por menos de R$ 2 mil. É nessa diferença de R$ 700 que se esconde a capacidade de o fabricante oferecer uma boa manutenção da máquina.

No portfólio dos grandes fabricantes, o primeiro serviço oferecido é a chamada ‘extensão da garantia’. Há anos a garantia gratuita do equipamento por um ano deixou de ser novidade. Mas agora, por um valor razoável, o apoio para o diagnóstico de falhas e reposição de peças de um computador pode ser estendido. Esse tipo de suporte nem sequer exige a presença física de um técnico. As solicitações de assistência técnica via Web ou por telefone são resolvidas na mesma hora em até 80% dos casos, informa Daniel Neiva, gerente de marketing da Dell.

Do outro lado da linha, na ponta do fabricante, um operador consulta um banco de dados para analisar o histórico do cliente, verificar o tipo de equipamento usado. O sistema detalha até mesmo os procedimentos básicos para resolver as falhas mais comuns de cada tipo de máquina.

Cássio Fernandes Augusto, diretor de marketing da Metron, ressalta que, entre a maioria dos fabricantes, o suporte técnico gratuito via Web ou pelo telefone – previsto na garantia do equipamento – limita-se ao horário comercial. Para aquelas empresas que dependem de suporte imediato, de dia ou de noite, é necessário contratar o chamado atendimento ‘24 por 7′, ou 24 horas, sete dias por semana. Outros fabricantes, como a Compaq e a Itautec, oferecem ainda projetos de consultoria para a montagem da infra-estrutura elétrica e de cabeamento para as futuras redes e serviços, como a instalação de aplicativos nas máquinas.

MÃO NA RODA
– Os pacotes de serviços são uma mão na roda, acredita Egnaldo Paulino, consultor de informática do Sebrae-SP. ‘Funcionários treinados dos fabricantes – e mesmo de suas revendas- substituem os departamentos de informática das empresas’, avalia o técnico. Interessados em garantir espaço entre as empresas com menor capacidade de investimento, os fabricantes de grife facilitam também as condições de pagamento. Cheques pré-datados são corriqueiros nas transações, da mesma forma que os financiamentos.

Mais do que comodidade, os fabricantes procuram salientar a segurança de seus pacotes. ‘É comum o usuário comprar um PC de uma empresa que depois de três meses não existe mais’, resume Ivair Rodrigues, gerente do instituto IDC Brasil.

Foi o que ocorreu com a Luanet Informática. Certo dia, quando a desenvolvedora tinha cinco computadores parados, a empresa que havia vendido os equipamentos desapareceu. Foi a gota d’água. A troca dos computadores velhos por outros, da IBM, foi imediata. E facilitada, pois a revenda aceitou seus computadores usados como parte do pagamento – os quais totalizaram 35% dos R$ 50 mil investidos.

Segundo Lemmi, não é qualquer máquina que resiste à demanda do setor de criação, que usa softwares pesados. Nem mesmo as novas. ”Dar pau’ é comum’, admite. ‘Mas, no último problema, o técnico conseguiu diagnosticar a falha por telefone e, no dia seguinte, trocou a peça’, diz o empresário. ‘Adquirir um computador mais barato costuma sair muito mais caro lá na frente’, conclui.

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