Não basta criar um site e enviar alguns e-mails divulgando a novidade para os principais clientes. A decisão de investir no comércio eletrônico envolve muitos outros cuidados dos empreendedores de primeira viagem, como a adequação do serviço oferecido ao perfil dos consumidores ou a logÃstica que exige a comercialização de produtos pela Internet.
Na opinião dos consultores e especialistas, a regra número um é reunir todas as informações necessárias antes de partir para o e-commerce, levando em conta a necessidade de manutenção do serviço depois de colocado no ar.
“A primeira pergunta a ser feita é se o público alvo da empresa costuma usar a Internet para fazer compras, atitude atualmente concentrada entre os consumidores das classes A e B”, explica o consultor de informática do Serviço de Apoio à s Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-São Paulo), Egnaldo Paulino.
De acordo com Paulino, o investimento no comércio eletrônico pede um planejamento para todas as etapas do negócio. “Não adianta oferecer toda a logÃstica do mundo se na verdade os consumidores serão atendidos com restrições”, afirma o consultor.
Destino – Paulino relata o caso de uma pequena empresa que, em seu braço de comércio eletrônico, chegou a confundir uma rua chamada Rio Branco, numa cidade do interior paulista, com a capital do Acre, que possui o mesmo nome. “O pedido era um produto perecÃvel, que precisava chegar ao Acre de um dia para o outro”, diz o consultor.
Outro ponto básico para levar adiante um projeto de e-commerce é a necessidade de atualização constante do serviço. “É como a vitrine da loja: sempre tem que ter coisa nova”, afirma o vice-presidente da Balance Consulting e coordenador do curso de E- Business à distância do Senac São Paulo, José Cláudio Terra.
De acordo com Terra, é possÃvel aproveitar a infra-estrutura do comércio eletrônico para outros serviços da empresa. “O setor de relacionamento com o cliente, por exemplo, pode ser feito através do site, reduzindo os custos com o atendimento por telefone”, afirma.
Testes – O teste do site antes de colocá-lo no ar ajuda a evitar gafes operacionais de todos os tipos. “Estava testando o site de uma empresa quando descobri que um dos links levava a um site de pornografia, o que pode ter acontecido por falha na confecção da página. Outro site, de uma pousada, tinha todos os links trocados. O cliente clicava na barra das fotos da região e via os quartos à disposição no local, por exemplo”, diz Paulino, do Sebrae.
Prometer prazos e não cumprir também significa prejudicar a imagem da empresa diante do consumidor.
Nomes – O nome do site que vai vender os produtos não precisa ser necessariamente igual ao da empresa. A Sem Limites Gravações, especializada na confecção de placas de homenagens, optou por usar o próprio nome dos produtos (www.placasdehomenagem.com.br) como forma de acesso ao site. “Fica muito mais fácil quando o consumidor procura pelo nome do produto ou serviço oferecido, sem dúvidas quanto à atividade da empresa”, explica Paulino.
Hoje, a média de custo para elaborar um site e começar a atuar no comércio eletrônico varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, no caso das pequenas e médias empresas. “É possÃvel pensar em gastos que ficam entre R$ 100 e R$ 150 por página do site”, diz Paulino.
Outra dica recomendada é o cuidado com a empresa que vai hospedar o site. “Muitos serviços de hospedagem gratuita não deixam a página no ar o tempo todo, além da falta de critérios quanto à concorrência entre os sites do mesmo setor”, diz Paulino.
Parceiros – A realização de parcerias com distribuidores e fornecedores pode ajudar a reduzir custos com comércio eletrônico. “Em troca deve-se incluir informações referentes aos parceiros no site”, explica Paulino.
Além de colocar em prática medidas como o envio de e-mails divulgando o site, os empreendedores precisam reforçar os contatos que possam gerar mais negócios para o serviço. “Não dá para fazer divulgação sem levar cartões no bolso ou na bolsa”, diz Paulino.
Isabela Barros











